Foram-se os gols, os dribles, as arrancadas e as superações. Restaram as lágrimas, os soluços, as lamentações, a nostalgia e ao agradecimento. É com esse início clichê que escrevo sobre o fim da carreira de Ronaldo. Pois o fim da carreira de todo jogador para o próprio jogador, sem distinção de raça ou talento, é igual. Como diria Falcão, é a primeira das duas mortes as quais um jogador de futebol sofre.
Por outro lado, a bola e o gramado perdem um de seus principais affairs. Com quem estes retribuiam o sentimento de carinho que em cada jogo Ronaldo passava. O torcedor perde um de seus ídolos, o qual se esperava sempre algo inesperado. Resta a este a dádiva de poder contar a seus filhos quem um dia ele viu jogar.
Ronaldo pensou fora dos campos. Foi além de um grande jogador, um grande artista, também um grande marketeiro (sem o estigma ruim da palavra). Ensinou que jogadas podem ser feitas também no Marketing. Mas jogadas que só podem ser feitas extra-campo por quem domina as jogadas intra-campo. Ronaldo ensinou, principalmente ao futebol brasileiro, a aliar o fenômeno midiático do futebol a um fenômeno mercadológico. Mas, ressalto que pensar fora do campo, só foi possível porque em campo, esse pensava fora da caixa.
Se já há algum tempo que o futebol vem sendo contestado pela falta de beleza, de arte, de genialidade; hoje este perdeu um de seus maiores artistas. Seria desmerecer demais chamá-lo de um mero jogador de futebol. Pendurou o par de pincéis hoje um dos maiores artistas do esporte. Como bem criou Galvão Bueno o apelido na Copa de 2002, o “Fenômeno”.
Merece tal associação ao nome, bem como os grandes generais recebiam na Roma antiga. Pois era acima de genial, como foi também Pelé, Garrincha, Maradona, Sócrates, Rivelino, Ademir da Guia, Zico, dentre vários outros artistas do futebol; um fenômeno da superação. Algo que independe de dom ou talento nato. Ou então que é um talento nato em potencial a todos.
Não poderia terminar melhor esta redação a não ser citando um trecho de Marcelo D2. “Igual a todo brasileiro, eu sou guerreiro. Às vezes caio, mas eu me levanto, mas eu me levanto”. Não só a nação, ou melhor, a República do Corinthians agradece, mas toda a república da bola.



